A Melhor Amiga Que Sempre Esteve Lá
Alice era uma mulher de 34 anos, apaixonada por livros e por longas caminhadas nas manhãs ensolaradas. Sempre introspectiva, carregava um misto de serenidade e mistério. Aos olhos do mundo, Alice parecia levar uma vida comum. Trabalhava como bibliotecária em uma pequena cidade, gostava de cozinhar e cuidava de um gato chamado Sebastian. Mas, dentro dela, existia um universo inteiro de diálogos, ideias e descobertas que compartilhava com sua melhor amiga: ela mesma.
Desde pequena, Alice tinha o hábito de conversar consigo mesma. Enquanto outras crianças formavam amizades no parquinho, Alice se sentava sozinha sob uma árvore, entretida em um debate interno sobre o céu, as nuvens ou os contos de fadas que havia lido. No começo, seus pais ficaram preocupados, mas, ao perceberem que Alice estava feliz e saudável, passaram a encarar isso como parte de sua singularidade.
Na adolescência, o mundo interno de Alice se expandiu. Era como se houvesse outra versão dela, uma amiga sábia, espirituosa e divertida, com quem podia compartilhar tudo. Essa "outra Alice" – como ela a chamava – não era fruto de solidão ou tristeza, mas de uma conexão profunda consigo mesma. Quando algo dava errado, a outra Alice estava ali para consolar, fazer rir ou até mesmo provocar um debate interno para buscar soluções.
Certo dia, Alice estava sentada em sua cafeteria favorita, um lugar aconchegante com paredes cobertas de livros. O barista se atrasara para entregar seu cappuccino, e ela começou a se irritar.
— Você está mesmo brava por causa de um café? — perguntou a outra Alice, em tom provocativo.
— Não é o café, é o descaso! — respondeu Alice, em voz baixa, para não chamar atenção.
— Ou talvez seja a sua impaciência falando mais alto... Já pensou nisso?
Alice suspirou. A outra Alice tinha razão, como sempre.
Essas conversas faziam parte de sua rotina. Durante suas caminhadas matinais, elas discutiam filosofia, relembravam memórias de infância e até criavam histórias juntas. Se Alice estava indecisa sobre algo, a outra Alice surgia com uma perspectiva nova. E, nos momentos de silêncio, elas compartilhavam um entendimento que transcendia palavras.
Houve uma vez em que Alice decidiu pintar sua sala de estar de azul-turquesa. Enquanto escolhia as tintas, a outra Alice sugeriu:
— E se você pintasse apenas uma parede? Assim, não cansa os olhos.
— Boa ideia! Você sempre tem um jeito de simplificar as coisas, não é?
— Alguém precisa, já que você complica tudo...
A pintura se tornou um evento divertido, com Alice cantando alto enquanto segurava o rolo de tinta. Quando terminou, sentou-se no sofá e admirou o trabalho, satisfeita.
— Ficou lindo, não acha? — perguntou Alice.
— Ficou, sim. Você deveria acreditar mais em si mesma, sabe?
Essa amizade não excluía o mundo externo. Alice tinha colegas no trabalho, vizinhos simpáticos e até um grupo de leitura no qual participava uma vez por mês. Mas nenhuma conexão era tão profunda quanto a que tinha com ela mesma.
Em uma tarde, Alice foi convidada para dar uma palestra na biblioteca sobre seu autor favorito, Virginia Woolf. Nervosa, começou a ensaiar em frente ao espelho.
— O que está te assustando tanto? — perguntou a outra Alice.
— E se eu gaguejar? E se ninguém gostar? — respondeu Alice.
— E se você simplesmente for incrível? Já pensou nisso?
No dia da palestra, Alice estava confiante. Seu público aplaudiu de pé, e ela percebeu que não precisava da validação dos outros para se sentir bem. A outra Alice estava lá o tempo todo, incentivando-a.
No final, Alice aprendeu que ter a si mesma como melhor amiga não era sinônimo de isolamento, mas de autossuficiência. Em um mundo que frequentemente tenta preencher os vazios com ruídos externos, Alice encontrou paz no silêncio interior e na conversa com a única pessoa que sempre estaria ao seu lado: ela mesma.
Ela e a outra Alice se bastavam, não porque o mundo fosse insuficiente, mas porque juntas, elas eram inteiras.
Desde pequena, Alice tinha o hábito de conversar consigo mesma. Enquanto outras crianças formavam amizades no parquinho, Alice se sentava sozinha sob uma árvore, entretida em um debate interno sobre o céu, as nuvens ou os contos de fadas que havia lido. No começo, seus pais ficaram preocupados, mas, ao perceberem que Alice estava feliz e saudável, passaram a encarar isso como parte de sua singularidade.
Na adolescência, o mundo interno de Alice se expandiu. Era como se houvesse outra versão dela, uma amiga sábia, espirituosa e divertida, com quem podia compartilhar tudo. Essa "outra Alice" – como ela a chamava – não era fruto de solidão ou tristeza, mas de uma conexão profunda consigo mesma. Quando algo dava errado, a outra Alice estava ali para consolar, fazer rir ou até mesmo provocar um debate interno para buscar soluções.
Certo dia, Alice estava sentada em sua cafeteria favorita, um lugar aconchegante com paredes cobertas de livros. O barista se atrasara para entregar seu cappuccino, e ela começou a se irritar.
— Você está mesmo brava por causa de um café? — perguntou a outra Alice, em tom provocativo.
— Não é o café, é o descaso! — respondeu Alice, em voz baixa, para não chamar atenção.
— Ou talvez seja a sua impaciência falando mais alto... Já pensou nisso?
Alice suspirou. A outra Alice tinha razão, como sempre.
Essas conversas faziam parte de sua rotina. Durante suas caminhadas matinais, elas discutiam filosofia, relembravam memórias de infância e até criavam histórias juntas. Se Alice estava indecisa sobre algo, a outra Alice surgia com uma perspectiva nova. E, nos momentos de silêncio, elas compartilhavam um entendimento que transcendia palavras.
Houve uma vez em que Alice decidiu pintar sua sala de estar de azul-turquesa. Enquanto escolhia as tintas, a outra Alice sugeriu:
— E se você pintasse apenas uma parede? Assim, não cansa os olhos.
— Boa ideia! Você sempre tem um jeito de simplificar as coisas, não é?
— Alguém precisa, já que você complica tudo...
A pintura se tornou um evento divertido, com Alice cantando alto enquanto segurava o rolo de tinta. Quando terminou, sentou-se no sofá e admirou o trabalho, satisfeita.
— Ficou lindo, não acha? — perguntou Alice.
— Ficou, sim. Você deveria acreditar mais em si mesma, sabe?
Essa amizade não excluía o mundo externo. Alice tinha colegas no trabalho, vizinhos simpáticos e até um grupo de leitura no qual participava uma vez por mês. Mas nenhuma conexão era tão profunda quanto a que tinha com ela mesma.
Em uma tarde, Alice foi convidada para dar uma palestra na biblioteca sobre seu autor favorito, Virginia Woolf. Nervosa, começou a ensaiar em frente ao espelho.
— O que está te assustando tanto? — perguntou a outra Alice.
— E se eu gaguejar? E se ninguém gostar? — respondeu Alice.
— E se você simplesmente for incrível? Já pensou nisso?
No dia da palestra, Alice estava confiante. Seu público aplaudiu de pé, e ela percebeu que não precisava da validação dos outros para se sentir bem. A outra Alice estava lá o tempo todo, incentivando-a.
No final, Alice aprendeu que ter a si mesma como melhor amiga não era sinônimo de isolamento, mas de autossuficiência. Em um mundo que frequentemente tenta preencher os vazios com ruídos externos, Alice encontrou paz no silêncio interior e na conversa com a única pessoa que sempre estaria ao seu lado: ela mesma.
Ela e a outra Alice se bastavam, não porque o mundo fosse insuficiente, mas porque juntas, elas eram inteiras.

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