A Idade Que Nos Escapa
Outro dia, ouvindo um podcast, fui surpreendida por uma ideia que, à primeira vista, parece absurda: nem da nossa própria idade somos donos. Pensei que tinha entendido errado, mas, ao longo da conversa, percebi que fazia todo o sentido.
Sempre contamos a idade somando anos, comemoramos
aniversários e nos preocupamos com o número crescente que marca nossa passagem
pelo tempo. Mas essa é apenas uma convenção, um registro que olha para trás. E
se a idade real não for a que já vivemos, mas sim o tempo que ainda nos resta?
Se pensarmos assim, a lógica se inverte. A idade que
carregamos no peito – aquela que dizemos orgulhosos ou temerosos – não nos
pertence mais. Já foi. O tempo que passou não volta, e não temos qualquer poder
sobre ele. O que realmente nos pertence é o que ainda está por vir. Nossa
verdadeira idade não é a que aumenta, mas a que diminui, dia após dia.
O curioso é que ninguém sabe ao certo qual é essa idade
real. O tempo que nos resta é um mistério, um segredo que a vida guarda e não
revela. Podemos fazer planos para anos à frente, mas não há garantias. Isso
assusta, mas também liberta. Se não temos controle sobre o tempo que falta, o
que nos resta é viver o agora da melhor forma possível.
Se há algo que o tempo ensina – enquanto escorre por entre
nossos dedos – é que a vida não é sobre contar anos, mas sobre preencher os
dias. Talvez devêssemos parar de perguntar quantos anos temos e começar a
perguntar: o que estamos fazendo com o tempo que temos?
Silvia Marchiori Buss
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