Parei de Pensar com a Cabeça e Passei a Pensar com o Corpo

 Passei tanto tempo raciocinando sobre a vida que quase me esqueci de senti-la. Pesava cada escolha, analisava cada gesto, buscava lógica nas emoções e explicações para os encontros e desencontros. Mas a vida não cabe em fórmulas exatas, e os sentimentos não se acomodam em raciocínios frios. Então, um dia, parei de pensar silenciei a mente e deixei que o corpo falasse.

Descobri que o corpo sabe.

Ele percebe antes dos olhos enxergarem, antes dos ouvidos captarem. O corpo lê os silêncios entre as palavras, sente a vibração das intenções, reconhece os laços invisíveis que unem ou afastam as pessoas. O corpo não se engana com máscaras ou convenções. Ele sabe quando um abraço é sincero, quando um olhar acolhe, quando uma presença nutre ou suga.

Passei a perceber que as relações interpessoais não são apenas trocas de ideias ou encontros de personalidades. Elas são campos de energia que se entrelaçam, se repelem ou se equilibram. Algumas pessoas chegam e fazem o coração vibrar em sintonia, enquanto outras carregam tempestades que arrepiam a pele antes mesmo de se aproximarem.

A natureza me ensinou isso. As árvores não argumentam para se manterem em pé; elas sentem a terra, se aprofundam nela e confiam no fluxo da seiva. Os rios não planejam seus caminhos; eles simplesmente seguem a gravidade, se moldam às pedras e encontram o mar. Os pássaros não duvidam do vento, não hesitam antes de alçar voo. Tudo na natureza se move em harmonia com uma sabedoria instintiva que não precisa ser decifrada – apenas vivida.

E nós, seres humanos, também somos natureza.

O toque de uma mão pode curar mais do que mil palavras. A respiração profunda pode dissolver angústias que nenhum raciocínio consegue resolver. O riso compartilhado tem o poder de acalmar almas inquietas. A presença sincera, sem necessidade de explicações ou justificativas, pode ser o maior presente que alguém pode oferecer.

Quando parei de pensar com a cabeça e passei a pensar com o corpo, comecei a escolher melhor as minhas companhias. Aprendi a confiar nas sensações, a perceber quando a energia de um ambiente me convida a ficar ou me pede para ir. Passei a ouvir o silêncio entre as palavras e a respeitar aquilo que o corpo me diz, sem precisar que a mente traduza.

E assim, a vida se tornou mais leve, mais intuitiva, mais verdadeira.

Porque o corpo sente. O corpo sabe. O corpo nunca mente.

 

Silvia Marchiori Buss

 

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