O Relógio Dança o Tempo

 O tempo, ah! O tempo... Ele desliza, inexorável, marcando sua presença com a precisão fria dos segundos, dos minutos e das horas. Seu compasso não vacila, seu ritmo nos empurra para a frente, porque apenas o futuro se abre diante de nós. O passado, esse passou. O que foi vivido, foi. O que ficou para trás, permanece como lembrança, ecoando em saudades, em suspiros, em sorrisos guardados na memória.

Mas e se não vivi tudo o que ele me oferecia? E se deixei momentos escaparem por entre os dedos, como areia levada pelo vento? Ah, os "ses"... Pequenas armadilhas que nos aprisionam em um labirinto sem saída, onde cada passo para trás rouba a luz do presente e embaça a visão do futuro.

Não, não quero me perder nos "ses" que pesam sobre a alma. Quero dançar com o tempo, aprender seu compasso, fluir em sua melodia. Que o relógio não seja um carrasco impiedoso, mas um parceiro de valsa, conduzindo-me com leveza pela vida que ainda pulsa em cada segundo.

Porque, afinal, o tempo é movimento, é transformação. Ele é como um rio que não cessa seu curso, levando consigo tudo o que já foi e abrindo espaço para tudo o que ainda pode ser. Se cada instante é um novo passo, que eu o execute com plenitude, sem medo de errar a coreografia da vida.

E o presente, esse palco efêmero onde a existência se desenrola, merece ser vivido com intensidade. Não há ensaios, não há reprises, apenas a dança do agora. Que eu me permita sentir a melodia de cada momento, sem pressa, sem arrependimentos, deixando o coração seguir o compasso que a vida dita.

O tempo, ah! O tempo... Ele não volta, mas ensina. Ele não espera, mas convida. E enquanto o relógio dança, eu danço com ele.

 

Silvia Marchiori Buss

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