O Caminho das Borboletas

Era uma manhã dourada de primavera quando Joana decidiu explorar a trilha que serpenteava pela mata ao redor de sua casa. As borboletas, em uma coreografia quase mágica, flutuavam entre as árvores, como se desenhassem um caminho invisível que a convidava a segui-las.

Joana vinha de tempos de sombras. Desde a partida inesperada de seu companheiro, as cores pareciam ter desaparecido do mundo. Tudo era cinza e envolto em uma neblina densa de silêncio. Porém, algo naquela manhã parecia diferente. O canto dos pássaros estava mais vibrante, e o perfume das flores recém desabrochadas trazia uma nota de esperança. Ela não sabia explicar, mas havia uma leveza que a fazia caminhar, mesmo sem rumo definido.

“Venha”, parecia dizer uma pequena borboleta azul que pairava diante de seus olhos, antes de seguir adiante. Joana a acompanhou, cruzando pequenos riachos e galhos caídos, sentindo a terra úmida sob seus pés. Outras borboletas, de vários tamanhos e cores, juntavam-se ao cortejo, transformando a trilha em um mosaico vivo de movimento e cor.

No meio da caminhada, Joana avistou uma clareira. Ali, um carvalho antigo erguia seus galhos imponentes, e ao seu redor, centenas de borboletas repousavam. Elas formavam um tapete pulsante que parecia ecoar o batimento do coração de Joana. Curiosa, ela se aproximou. Ao tocar o tronco da árvore, sentiu algo inesperado: um calor acolhedor que irradiava por todo seu corpo. Era como se aquele carvalho guardasse histórias antigas, memórias de amor, perdas e renascimentos.

De repente, o vento soprou forte, e as borboletas alçaram voo ao mesmo tempo. Elas dançaram ao redor de Joana, envolvendo-a em um turbilhão de cores e luz. Não era apenas um espetáculo natural; havia algo de sagrado naquele momento. Joana fechou os olhos e deixou as lágrimas correrem, não de tristeza, mas de uma compreensão que a tomava de forma avassaladora.

“Você não está sozinha”, murmurou uma voz suave em seu interior. Talvez fosse sua própria consciência, talvez fosse a floresta, ou quem sabe, o eco de seu companheiro perdido. Joana não precisava de respostas; ela apenas sabia que algo dentro dela mudara.

Quando abriu os olhos, as borboletas se dispersavam, mas o caminho estava mais claro. Ela seguiu, sentindo que cada passo a levava para mais perto de si mesma. Ao fim da trilha, a luz do sol parecia mais quente, as cores mais intensas e o ar mais leve. Joana sorria, e as borboletas ainda dançavam ao longe, como se prometessem novos caminhos e novas descobertas.

Naquele dia, Joana compreendeu que o caminho das borboletas não era apenas uma rota na floresta, mas uma jornada para dentro de seu próprio coração. Um lembrete de que a beleza e a esperança podem renascer, mesmo depois das mais escuras tempestades.


Silvia Marchiori Buss

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