Fazer-se Feliz
“Ninguém pode nos fazer infelizes, apenas nós mesmos.”
(São João Crisóstomo)
Vivemos, muitas vezes, acreditando que a felicidade é algo
que nos chega de fora, que depende de circunstâncias ideais, de pessoas que nos
amam da maneira que esperamos ou de eventos que se encaixam perfeitamente no
nosso roteiro de vida. Mas a verdade, embora difícil de aceitar, é que a
felicidade é uma construção interna. Ela é tão íntima e fugaz que, às vezes,
nem percebemos sua presença ao nosso lado, pois se manifesta de forma delicada
e silenciosa.
A felicidade é muito particular. O que faz um feliz pode não
ser o mesmo que faz o outro feliz. Para alguns, ela está no silêncio e na
solidão escolhida; para outros, no barulho das risadas entre amigos. Uns
encontram alegria na simplicidade da rotina; outros, na emoção do inesperado.
Há quem se realize com conquistas materiais, enquanto outros encontram
plenitude na experiência do que não se pode tocar. Uns gostam do dia
ensolarado; outros se arrepiam com a delicadeza da chuva... E tudo bem. Cada um
tem seu próprio compasso para a felicidade.
Claro, há dores que nos visitam sem convite, perdas que nos
despedaçam, dias cinzentos em que o peso do mundo parece maior do que podemos
suportar. Mas, até nesses momentos, a forma como escolhemos lidar com as
adversidades define o quanto elas terão poder sobre nós. Podemos nos agarrar à
mágoa ou decidir encontrar novos significados. Podemos nos perder na tristeza
ou descobrir nela um tempo de reconstrução.
Isso não significa negar o sofrimento, mas reconhecê-lo sem
lhe entregar as rédeas da nossa vida. A felicidade não é um estado permanente,
mas uma escolha diária. Está nos pequenos instantes: na brisa que nos toca o
rosto, no abraço sincero, no prazer de um café quente, na satisfação de um
trabalho bem feito, na página de um livro que nos emociona. E, para cada um,
esses pequenos momentos terão uma proporção diferente.
Assumir a responsabilidade por nossa própria felicidade é
libertador. Não significa que nunca sofrer
Silvia Marchiori Buss
Comentários
Postar um comentário