Entre Marido e Mulher
"Entre marido e mulher não se mete a colher!" Sábio ditado, pensava Dona Candinha, enquanto assistia, pela enésima vez, ao bate-boca de Sisa e Maneco.
Sisa era uma mulher explosiva, de caráter forte e autoritária. Vivia às voltas com o marido por conta dos ciúmes que sentia do belo rapaz. Naquele dia, não foi diferente. Estacionou o carro na saída da garagem do prédio e mandou um "lero" para quem quisesse ouvir — até porque, para ela, era comum e não mudava em nada o que os outros pensassem.
— Não toca em mim! Sai da minha frente! — berrava Sisa, enquanto estapeava o marido, sem medo de levar uma coça, já que ele tinha o dobro de seu tamanho.
— Só porque tô gorda, né? Precisava me oferecer a Boa Forma em vez da Vogue? Eu sei que tô um bagulho, mas não foi tu que pariu um seguido do outro!
Sisa mal havia parido a menina e já se viu grávida do menino, que agora tinha apenas cinco meses. O carro estava lotado com os pertences das crianças, que, naquela altura dos acontecimentos, berravam mais do que ela. Sim, porque o marido apenas se defendia dos tabefes e tentava proteger o pequeno, que estava no colo da mulher. Dele, não se ouvia um piu — ela não dava espaço. Mas ele tentava acalmá-la:
— Meu amor! Escuta! Sisa, me deixa falar! Por favor, te acalma! Olha as crianças ficando assustadas!
Ele já nem se importava mais com o que os vizinhos pudessem pensar. Todos sabiam o temperamento de Sisa, que era dos oito ou oitenta. Para ela, meio-termo não servia.
Bem por isso, estava querendo morrer ou matar — tudo porque, em sua cabeça, estava acima do peso.
— Meu bem, isso é da tua cabeça! Tá bem que tu tá um pouco mais cheinha, mas acabou de ter duas crianças em pouco tempo, é normal... Logo, logo, volta ao teu peso. Mas eu te amo mesmo assim. Tu e as crianças são minha vida. Vai, amor, te acalma! Vamos entrar...
Sisa choramingava, dengosa e se achando depois de tudo que ouviu do marido. E então, pediu:
— Diz de novo!
— Diz o quê?
— Ah! Então tu falou só pra me acalmar... Que me ama o quê?
— Meu amor, meu amor... psi... psi... te acalma!
Com toda a calma do mundo — e todo lanhado — ele recolheu o pequeno do colo de Sisa, retirou do carro a menininha e, enquanto abraçava sua mulher, sussurrou:
— Eu te amo... juro que amo.
Dona Candinha, boa espectadora que era, encostou a janela e se acomodou na confortável poltrona da sala, esperando a nova sessão.
Sisa era uma mulher explosiva, de caráter forte e autoritária. Vivia às voltas com o marido por conta dos ciúmes que sentia do belo rapaz. Naquele dia, não foi diferente. Estacionou o carro na saída da garagem do prédio e mandou um "lero" para quem quisesse ouvir — até porque, para ela, era comum e não mudava em nada o que os outros pensassem.
— Não toca em mim! Sai da minha frente! — berrava Sisa, enquanto estapeava o marido, sem medo de levar uma coça, já que ele tinha o dobro de seu tamanho.
— Só porque tô gorda, né? Precisava me oferecer a Boa Forma em vez da Vogue? Eu sei que tô um bagulho, mas não foi tu que pariu um seguido do outro!
Sisa mal havia parido a menina e já se viu grávida do menino, que agora tinha apenas cinco meses. O carro estava lotado com os pertences das crianças, que, naquela altura dos acontecimentos, berravam mais do que ela. Sim, porque o marido apenas se defendia dos tabefes e tentava proteger o pequeno, que estava no colo da mulher. Dele, não se ouvia um piu — ela não dava espaço. Mas ele tentava acalmá-la:
— Meu amor! Escuta! Sisa, me deixa falar! Por favor, te acalma! Olha as crianças ficando assustadas!
Ele já nem se importava mais com o que os vizinhos pudessem pensar. Todos sabiam o temperamento de Sisa, que era dos oito ou oitenta. Para ela, meio-termo não servia.
Bem por isso, estava querendo morrer ou matar — tudo porque, em sua cabeça, estava acima do peso.
— Meu bem, isso é da tua cabeça! Tá bem que tu tá um pouco mais cheinha, mas acabou de ter duas crianças em pouco tempo, é normal... Logo, logo, volta ao teu peso. Mas eu te amo mesmo assim. Tu e as crianças são minha vida. Vai, amor, te acalma! Vamos entrar...
Sisa choramingava, dengosa e se achando depois de tudo que ouviu do marido. E então, pediu:
— Diz de novo!
— Diz o quê?
— Ah! Então tu falou só pra me acalmar... Que me ama o quê?
— Meu amor, meu amor... psi... psi... te acalma!
Com toda a calma do mundo — e todo lanhado — ele recolheu o pequeno do colo de Sisa, retirou do carro a menininha e, enquanto abraçava sua mulher, sussurrou:
— Eu te amo... juro que amo.
Dona Candinha, boa espectadora que era, encostou a janela e se acomodou na confortável poltrona da sala, esperando a nova sessão.
Silvia Marchiori Buss

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