Eclipse no Coração
Há dias em que o sol brilha forte dentro de nós, espalhando luz por cada canto da alma. Mas há outros em que uma sombra se interpõe entre o peito e o calor da vida, obscurecendo tudo ao redor. Um eclipse no coração.
Não são raros esses momentos. Eles chegam sem aviso, como
nuvens densas encobrindo um entardecer que prometia ser sereno. O coração, tão
acostumado a pulsar em plenitude, de repente hesita, vacila. A saudade, a dor e
as lembranças sussurram segredos de tempos passados, e o presente parece perder
a cor.
Mas assim como o eclipse é apenas um instante na imensidão
do tempo, as sombras que nos visitam também são passageiras. O que hoje se
esconde atrás de uma escuridão momentânea, amanhã pode reaparecer iluminado,
revelando um brilho ainda mais forte do que antes. Porque a dor transforma,
reinventa, molda a alma de quem sente.
Há beleza até mesmo na sombra, pois ela nos ensina o valor
da luz. Há poesia até mesmo na saudade, pois ela só existe onde houve amor. E
há vida mesmo quando tudo parece silenciado, pois o coração, ainda que
eclipsado, continua a bater, esperando o momento de renascer.
Cada sombra carrega consigo uma promessa de luz, cada
silêncio é um prelúdio para uma nova canção. A dor, ainda que aguda, é também
um sinal de que amamos profundamente. E o tempo, implacável e sábio, aos poucos
dissolve as nuvens, permitindo que o brilho retorne.
E assim seguimos. Entre a luz e a sombra, entre a saudade e
a esperança. Entre os ciclos que nos fazem humanos, os momentos de despedida e
os reencontros que a vida nos oferece. Porque até mesmo o sol, vez ou outra,
precisa se esconder para voltar a brilhar ainda mais intenso. E quando a luz
retorna, traz consigo a força renovada de quem atravessou a escuridão e
encontrou, dentro de si, um novo amanhecer.
Silvia Marchiori Buss
Comentários
Postar um comentário