As Curvas da Estrada

Na longa estrada da existência, cada curva guarda surpresas e desafios que me fazem refletir sobre o verdadeiro sentido do caminho. Como em uma viagem sem mapa, as reviravoltas surgem de forma inesperada, revelando encontros marcantes, momentos de transformação e, por vezes, situações que me obrigam a repensar os rumos.

A beleza dessa jornada está justamente na incerteza que a acompanha. Em cada curva, existe a possibilidade de encontrar alguém cujo simples olhar ou palavra transforma os meus passos. Esses encontros — breves ou duradouros — tecem a tapeçaria rica das minhas experiências, deixando lições que permanecem mesmo quando o caminho se torna incerto.

Nem todas as curvas trazem apenas encanto e descoberta. Algumas se apresentam como momentos de profunda introspecção, em que o tempo parece pausar e me confronto com a minha própria fragilidade. Nesses instantes, a consciência da finitude se impõe, lembrando-me que a morte, silenciosa e inevitável, faz parte da rota. Ainda assim, há uma beleza singular nessa transição, na certeza de que cada fim se entrelaça com um novo começo.

Depois das curvas, surgem as retas. Esses períodos de aparente estabilidade oferecem uma pausa, um tempo para reorganizar pensamentos e energias. As retas simbolizam momentos de clareza e determinação, onde o caminho se torna mais visível e as escolhas se alinham com os desejos e propósitos do coração. Mesmo assim, a possibilidade de novas curvas nunca se esgota, pois a vida é, por essência, uma sucessão contínua de surpresas.

Ao percorrer essa estrada, aprendo a abraçar cada curva com coragem e a valorizar cada encontro, percebendo que a jornada é feita de instantes que me transformam e sempre abrem espaço para novas retas e recomeços. É nessa dança íntima entre curvas e retas que descubro a plenitude de viver.

 

 

Silvia Marchiori Buss

 

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