A Compaixão Começa em Casa

Desde cedo, aprendemos que ser bom é se doar, estender as mãos e oferecer apoio. Crescemos ouvindo que devemos cuidar dos outros, ser generosos e acolher dores alheias. E, de fato, tudo isso é essencial. No entanto, o que acontece quando fazemos isso sem antes olharmos para dentro? O que sobra de nós quando gastamos toda a nossa energia com os outros sem reservar sequer um pouco para nós mesmos?

A compaixão verdadeira não pode ser unilateral. Ela precisa se estender ao próximo, mas também a nós mesmos. Não é egoísmo reconhecer que também temos fraquezas, que também sofremos e que igualmente merecemos acolhimento. Antes de nos doarmos, precisamos estar inteiros.

Imagine uma chama que ilumina um caminho escuro. Se não houver oxigênio suficiente, essa chama se apaga. Assim acontece conosco. Se negligenciamos nosso descanso, nossas emoções e nossos limites, um dia nos apagamos também.

Ter compaixão por si mesmo significa tratarmo-nos com gentileza. Significa respeitar nossos sentimentos, perdoar nossos erros e acolher nossas dores sem julgamentos severos. Significa compreender que não somos infalíveis e que está tudo bem precisar de um tempo, de um respiro, de um momento de recolhimento.

Quando nos permitimos esse olhar mais amoroso para dentro, algo transformador acontece: passamos a ter mais forças para olhar para fora. Nossos gestos de carinho e ajuda ao outro tornam-se mais genuínos, pois não são feitos às custas do nosso próprio esgotamento, mas sim a partir de uma fonte que transborda.

Portanto, antes de tudo, seja gentil consigo mesmo. Perdoe-se. Permita-se descansar. Cuide de suas dores como cuidaria das de um grande amigo. Pois a compaixão, assim como o amor, só é verdadeira quando também começa dentro de nós.

 

Silvia Marchiori Buss

 

 

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