A Cada Noite Uma Esperança

 Deito-me na escuridão do quarto, esperando que o sono me leve ao único lugar onde ainda posso te encontrar: meus sonhos. Lá, o tempo se curva diante da saudade, e você me espera, com o mesmo olhar de antes, o mesmo sorriso que ainda sei de cor.

Tenho medo, confesso. Medo de que, aos poucos, o contorno do seu rosto se desfaça, o calor de seu olhar esfrie em minhas lembranças, que o toque da tua mão paralise antes de tocar a minha. Medo de que tudo fique como tinta diluída na água do tempo. Medo de que sua voz se perca em um sussurro longínquo, até que eu já não possa mais reconhecê-la. Mas enquanto a noite se derrama sobre mim, conservo a esperança: talvez, hoje, você venha.

Nos sonhos, não há despedidas. Caminhamos lado a lado, como se nada tivesse nos arrancado um do outro. O toque ainda é quente, suas palavras ainda têm peso, e, por um instante, a vida se dobra ao impossível: você está aqui.

E então acordo. O quarto vazio, a cama fria, o coração apertado. Mas a esperança não morre com o amanhecer. Sei que a noite voltará, e com ela, talvez, a promessa de mais um encontro.

Então espero. Porque enquanto você viver nos meus sonhos, ainda será real. E eu, ainda serei sua.

 

Silvia Marchiori Buss

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