Somos Lembraças
No fim das contas, somos apenas lembranças. Nascemos, crescemos, enfrentamos o mundo com suas exigências e desafios, mas a única certeza que carregamos é a de que, mais cedo ou mais tarde, partiremos. E, nesse intervalo entre o início e o fim, consumimos nosso tempo com preocupações muitas vezes pequenas, efêmeras, que nos afastam do essencial.
Quantas vezes adiamos gestos simples e significativos porque
estamos ocupados demais tentando "nos livrar" das obrigações
cotidianas? Mas livres, para quê? A busca incessante por liberdade pode se
tornar uma prisão, uma fuga do que realmente importa: o momento presente, as
conexões verdadeiras, as memórias que cultivamos.
Vivemos em um mundo onde muitos agem com arrogância,
acreditando serem superiores aos outros, como se posses, realizações ou
opiniões os tornassem mais valiosos. Mas, ao final, tudo isso se dissolve. O
que resta não são os bens materiais ou os feitos grandiosos, mas as lembranças
que deixamos. E essas, sim, estão em nossas mãos.
Serão lembranças de afeto ou de distância? De sorrisos
partilhados, abraços que aqueceram, palavras que ergueram? Ou serão rastros de
frieza, egoísmo e ausência? Em cada escolha, moldamos o legado que deixaremos.
A efemeridade da vida é tanto um lembrete quanto um convite.
Um lembrete de que nosso tempo é finito e precioso. Um convite para vivermos de
forma mais consciente, mais presente, mais humana. As preocupações podem ser
inevitáveis, mas não precisam nos definir. O que nos define é a forma como
amamos, como enxergamos o outro e como transformamos cada dia em uma
oportunidade de construir algo maior que nós mesmos: memórias que inspirem, que
toquem, que perpetuem o melhor de nós.
No final, somos lembranças. Que sejam belas, pois, por meio
delas, continuaremos vivos nos corações daqueles que ficam.
Silvia Marchiori Buss
Comentários
Postar um comentário