Saudade

Saudade é essa presença silenciosa que nos envolve sem aviso, instalando-se na alma como um sopro de tempos que foram intensamente vividos. Ela não escolhe hora nem lugar; simplesmente se impõe, trazendo à tona lembranças preciosas, rostos queridos e momentos que deixaram marcas profundas. Sentimos saudade daquilo que amamos, das experiências que nos trouxeram felicidade, da vida que, em certos instantes, pareceu perfeita em sua simplicidade.

Ninguém sente falta da dor ou do que nos feriu. O que nos move não é o sofrimento passado, mas a nostalgia do que nos fez bem, das risadas sinceras, dos abraços demorados, das palavras que aqueceram o coração. Mais do que um lamento pelo que já não é, a saudade pode ser um convite a reviver a essência do que nos fez felizes, de um jeito novo, mas igualmente verdadeiro.

Que saibamos transformar a saudade em impulso, em um trampolim que nos lança para novas experiências. Nada na vida se repete exatamente, mas há sempre a possibilidade de resgatar a emoção que um dia nos preencheu. Se soubermos acolhê-la sem nos prendermos ao passado, a saudade pode ser luz que nos guia, inspiração para continuarmos a buscar momentos que valham a pena ser lembrados.

Que, ao senti-la, não nos percamos na ausência, mas celebremos a intensidade com que vivemos. Pois, se a saudade existe, é porque amamos profundamente, e esse amor, de alguma forma, ainda nos acompanha, nos ensina e nos fortalece. Que ela seja, então, não um fardo, mas um sopro que nos impulsiona a criar novas histórias, novos encontros e novas razões para sorrir.

 

Silvia Marchiori Buss

  

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