O Valor do "Não"
Dizer "não" nunca foi fácil para mim. Talvez por medo de decepcionar, talvez por querer agradar ou evitar desconfortos, o "sim" sempre parecia o caminho mais simples. Mas com o tempo, aprendi que o "sim" constante cobra um preço alto – de energia, de tempo e, muitas vezes, da própria paz interior.
Há uma estranha resistência em negar algo, especialmente
quando sabemos que poderíamos fazer. Parece egoísmo ou descaso, mas, na
verdade, o "não" pode ser um gesto de profundo respeito – por nós
mesmos e pelos outros. Afinal, um "sim" dado sem vontade é muitas
vezes um "não" silencioso à nossa própria felicidade.
Em 2025, decidi que o "não" precisa encontrar seu
lugar na minha vida. Não por rancor, mágoa ou preguiça, mas porque entendi que
não podemos abraçar o mundo quando estamos esgotados. É preciso deixar claro: o
"não" também é saudável. Ele cria espaço para os nossos
"sins" mais sinceros, aqueles que vêm do coração, livres de
obrigação.
Dizer "não" não é abandonar a generosidade ou
esquecer o cuidado com o outro. Pelo contrário, é um convite a honrar a própria
essência, reconhecer os próprios limites e viver de maneira mais verdadeira. É
um ato de coragem e autocompaixão.
Então, neste novo ano, eu me comprometo a dizer "não" quando for necessário. Para ser honesta comigo e com os outros. Para que, ao final do dia, os "sins" que eu oferecer sejam tão genuínos quanto meu desejo de viver com leveza.
Silvia Marchiori Buss
Comentários
Postar um comentário