Deixar como o outro quiser ser é libertador
Em uma sociedade que tanto preza pelo controle e pela imposição de padrões, abrir mão de moldar o outro à nossa imagem ou segundo os nossos desejos é um ato de coragem. Mais do que isso, é um gesto profundo de respeito e de amor verdadeiro.
Quando tentamos mudar o outro para que se ajuste às nossas
expectativas, na verdade estamos tentando preencher lacunas internas.
Projetamos no outro nossos anseios, medos e carências, esquecendo que cada
indivíduo é um universo próprio, com sonhos, dores e histórias que não nos
pertencem. É como tentar podar uma árvore para que caiba em um vaso pequeno,
ignorando que ela precisa de espaço para crescer e florescer.
Deixar o outro ser como é não significa concordar com tudo
ou aceitar aquilo que nos fere. Trata-se de compreender que a verdadeira
conexão vem da aceitação, não da conformidade. Muitas vezes, é nesse espaço de
liberdade que as relações se tornam mais autênticas, permitindo que ambos os
lados floresçam em sua individualidade.
Essa liberdade também nos ensina sobre nós mesmos. Ao
permitirmos que o outro viva sua própria essência, somos confrontados com
nossas inseguranças e expectativas irreais. Esse processo pode ser
desconfortável, mas é também profundamente transformador. Aprendemos que não
somos responsáveis pela felicidade alheia e que o amor verdadeiro não impõe
condições.
A liberdade de ser é uma via de mão dupla. Assim como
desejamos que os outros nos aceitem como somos, devemos oferecer essa mesma
aceitação. Não há relação mais leve e genuína do que aquela em que ambos podem
se mostrar vulneráveis, imperfeitos e inteiros.
Deixar o outro ser é libertador porque nos liberta também.
Liberta-nos da necessidade de controlar, do peso das expectativas e da ilusão
de que a felicidade depende do outro. É um ato de amor que transforma, eleva e
traz paz à alma.
Silvia Marchiori Buss
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