Cartas na Mesa
O cassino fervilhava com o som das fichas e o riso abafado dos jogadores. Era uma noite comum na cidade costeira, aquela que florescia no verão e, no inverno, se perdia em um esquecimento frio. Mas naquela noite, algo diferente pairava no ar, como algo mágico fosse acontecer e ninguém ali sabia explicar — e então, ela apareceu.
A imponente porta de vidro do cassino se abriu, e todos se voltaram ao mesmo tempo, como que atraídos por uma força invisível. Ali estava uma mulher. Morena, de beleza cortante e enigmática, cabelos negros e sedosos que deslizavam sobre suas costas desnudas...a morena era dona de olhos negros com um olhar que parecia atravessar a alma de quem se atrevesse a encará-la. Seus passos eram lentos e graciosos, e ao mesmo tempo precisos e determinados , como se ela flutuasse sobre o chão coberto de mármore. Vestia um longo vestido negro, que parecia escorregar pelo seu corpo como uma sombra, delineando cada movimento. E cada curva de seu corpo. O longo e delgado pescoço era adornado por um colar com um anjo de prata que reluzia sob a luz tênue. Ela mantinha uma mão sobre o colar, como se guardasse um segredo ou fizesse uma prece silenciosa.
Sem pronunciar uma palavra, dirigiu-se à mesa de pôquer. Os homens ao redor, experientes e acostumados com todos os tipos de jogadores, sentiam-se estranhamente desconcertados diante de sua presença. Ela fitava cada um deles com um olhar impenetrável, enquanto eles desviavam os olhos, sem conseguir sustentar o magnetismo dela. As cartas foram distribuídas, e ela, com movimentos leves e precisos, jogava uma após a outra, quebrando a banca sem esforço aparente. Ninguém ousava questioná-la, como se algo sagrado a envolvesse, protegendo-a da curiosidade e dos murmúrios que seus gestos despertavam.
A cada jogada, o silêncio se aprofundava no cassino. E, como uma aparição, ela se levantou, deixando a pilha de fichas que ganhara intocada. Seus passos de saída eram tão delicados e decididos quanto os de entrada. Ela deslizava entre as mesas com um rebolado hipnótico, como se comandasse cada olhar, cada pensamento. Os homens a seguiam com os olhos, incrédulos, tentando gravar cada detalhe para entender o mistério daquela mulher sem nome.
Nos dias seguintes, todos falavam sobre a morena do cassino. Ninguém sabia seu nome, sua origem, ou sequer a intenção de sua breve visita. Ela permaneceu pela cidade aquele verão, sempre enigmática, aparecendo e desaparecendo nas sombras, como uma personagem saída de um sonho. E então, quando o verão deu lugar às brumas do outono, ela desapareceu por completo. Tudo o que restou foram suas roupas, seus sapatos, e o colar com o anjo, encontrados na areia, à beira do mar.
Quando o próximo verão chegou, o cassino voltou a se encher, e todos aguardavam, ansiosos, pela volta da morena. Mas ela nunca mais apareceu. Os moradores e visitantes criaram lendas sobre a mulher misteriosa que chegava, encantava, e desaparecia como as ondas do mar. O tempo passou, mas o mistério daquela morena sem identidade, de olhar penetrante e passos silenciosos, continuou a assombrar o cassino. Ela havia se tornado, para sempre, o enigma daquela cidade à beira do oceano, onde o verão ainda a esperava, ano após ano, sem respostas. As lendas dizem que, na verdade, ela não era deste mundo, mas um espírito que vinha apenas para lembrar que, por mais intensa que seja uma presença, ela pode desaparecer, deixando apenas ecos na memória dos que a testemunharam.
A imponente porta de vidro do cassino se abriu, e todos se voltaram ao mesmo tempo, como que atraídos por uma força invisível. Ali estava uma mulher. Morena, de beleza cortante e enigmática, cabelos negros e sedosos que deslizavam sobre suas costas desnudas...a morena era dona de olhos negros com um olhar que parecia atravessar a alma de quem se atrevesse a encará-la. Seus passos eram lentos e graciosos, e ao mesmo tempo precisos e determinados , como se ela flutuasse sobre o chão coberto de mármore. Vestia um longo vestido negro, que parecia escorregar pelo seu corpo como uma sombra, delineando cada movimento. E cada curva de seu corpo. O longo e delgado pescoço era adornado por um colar com um anjo de prata que reluzia sob a luz tênue. Ela mantinha uma mão sobre o colar, como se guardasse um segredo ou fizesse uma prece silenciosa.
Sem pronunciar uma palavra, dirigiu-se à mesa de pôquer. Os homens ao redor, experientes e acostumados com todos os tipos de jogadores, sentiam-se estranhamente desconcertados diante de sua presença. Ela fitava cada um deles com um olhar impenetrável, enquanto eles desviavam os olhos, sem conseguir sustentar o magnetismo dela. As cartas foram distribuídas, e ela, com movimentos leves e precisos, jogava uma após a outra, quebrando a banca sem esforço aparente. Ninguém ousava questioná-la, como se algo sagrado a envolvesse, protegendo-a da curiosidade e dos murmúrios que seus gestos despertavam.
A cada jogada, o silêncio se aprofundava no cassino. E, como uma aparição, ela se levantou, deixando a pilha de fichas que ganhara intocada. Seus passos de saída eram tão delicados e decididos quanto os de entrada. Ela deslizava entre as mesas com um rebolado hipnótico, como se comandasse cada olhar, cada pensamento. Os homens a seguiam com os olhos, incrédulos, tentando gravar cada detalhe para entender o mistério daquela mulher sem nome.
Nos dias seguintes, todos falavam sobre a morena do cassino. Ninguém sabia seu nome, sua origem, ou sequer a intenção de sua breve visita. Ela permaneceu pela cidade aquele verão, sempre enigmática, aparecendo e desaparecendo nas sombras, como uma personagem saída de um sonho. E então, quando o verão deu lugar às brumas do outono, ela desapareceu por completo. Tudo o que restou foram suas roupas, seus sapatos, e o colar com o anjo, encontrados na areia, à beira do mar.
Quando o próximo verão chegou, o cassino voltou a se encher, e todos aguardavam, ansiosos, pela volta da morena. Mas ela nunca mais apareceu. Os moradores e visitantes criaram lendas sobre a mulher misteriosa que chegava, encantava, e desaparecia como as ondas do mar. O tempo passou, mas o mistério daquela morena sem identidade, de olhar penetrante e passos silenciosos, continuou a assombrar o cassino. Ela havia se tornado, para sempre, o enigma daquela cidade à beira do oceano, onde o verão ainda a esperava, ano após ano, sem respostas. As lendas dizem que, na verdade, ela não era deste mundo, mas um espírito que vinha apenas para lembrar que, por mais intensa que seja uma presença, ela pode desaparecer, deixando apenas ecos na memória dos que a testemunharam.
Silvia Marchiori Buss

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