A Finitude das Coisas

 A finitude das coisas é uma verdade que atravessa a existência humana como um rio silencioso. Tudo é perecível, desde o frescor das manhãs de primavera até as memórias que cultivamos no silêncio de nossa mente. Porém, essa realidade não é necessariamente um peso a ser carregado, mas um convite à reflexão, à celebração, à compreensão do que significa estar vivo.

As coisas que amamos, as pessoas que habitam nossas vidas e os momentos que nos arrebatam estão inevitavelmente atrelados à impermanência. Não há como fugir do fim, mas podemos escolher como percorrer o caminho até ele. Nesse percurso, aprendemos que a finitude não tira o valor das experiências vividas; pelo contrário, é o que lhes confere significado.

A consciência da finitude nos ensina a olhar para o agora com maior intensidade. Sabemos que as coisas passarão — as flores murcharão, os risos se dissiparão no ar, os abraços um dia serão apenas memórias — e é exatamente por isso que cada um desses momentos é tão precioso. Saber que nada é para sempre é o que nos empurra a viver com mais coragem, a amar sem reservas, a aproveitar o efêmero.

Por vezes, a finitude se manifesta de forma abrupta, como uma porta que se fecha antes que possamos atravessá-la. Nessas horas, somos confrontados com a dor, mas também com a oportunidade de crescimento. Afinal, o que fica quando algo se vai? Talvez fiquem as lições, as lembranças, a compreensão de que a perda é parte do ciclo e que o vazio deixado pode ser preenchido com significado, mesmo que às vezes isso leve tempo.

A finitude também é um lembrete de que a vida não pode ser vivida em suspensão. Enquanto nos preocupamos com o futuro ou nos prendemos ao passado, o presente escorre por entre os dedos, invisível e silencioso. Assim, abraçar a finitude é também abraçar o presente — com todas as suas dores, delícias, desafios e belezas.

Que possamos, então, olhar para a finitude não com medo ou tristeza, mas com a gratidão de quem entende que é justamente ela que torna cada momento único. Que o fim seja visto não como uma sombra que se aproxima, mas como uma parte inevitável de um todo maior, uma nota final que dá sentido à melodia inteira.

 

 Silvia Marchiori Buss

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