A Jogadora Martina e seu amigo Marquinhos, o Cacto

Martina, uma jovem jogadora de vôlei, tinha uma história única que a acompanhava dentro e fora das quadras. Quando era apenas uma menina tímida, seus pais , percebendo sua dificuldade em se abrir com os outros, levaram-na para conhecer Dona Luísa, a dona da famosa Casa Torta. A casa era uma verdadeira obra de arte: com paredes inclinadas, janelas desalinhadas, piso em ziguezague e, é claro, o protagonista da casa, um cacto torto.

Dona Luísa, com seu sorriso acolhedor e sua sensibilidade, contou à Martina a história daquele cacto. Ele havia sido um presente de Marcos, um amigo querido e esperto, que o encontrara em um terreno baldio. Apesar de sua forma e de suas condições difíceis, Marcos acreditou que o cacto tinha potencial para morar na casa torta. Com paciência e cuidado, plantou-o em um vaso, e o pequeno cacto prosperou. Dona Luísa o batizou de "Corajoso Marquinhos", em homenagem ao amigo que sempre via o melhor em tudo e enfrentava a vida com determinação. Para Dona Luísa, aquele cacto era um símbolo de resiliência, de como até as coisas mais improváveis podem crescer e florescer.

Certo dia, para surpresa de Martina, Dona Luísa ofereceu a ela um pequeno broto do Corajoso Marquinhos. - "Leve este pedacinho com você, minha querida. Ele carrega força e coragem. Assim, sempre terá algo para te inspirar nos momentos difíceis." Martina aceitou o presente com os olhos brilhando, sentindo que aquele pequeno broto tinha algo especial.

No início, Martina não sabia muito bem o que fazer com ele. Colocou o broto em um vasinho pequeno e o deixou em sua janela. Porém, ao olhar para ele antes de um treino, sentiu uma súbita coragem ao lembrar das palavras de Dona Luísa. Foi então que decidiu: levaria o cacto para seus jogos. Assim começou a jornada de transformação do broto em Marquinhos, o amigo.

Martina começou a personalizar o vasinho do cacto, pintando-o com cores vibrantes. Depois, decidiu dar um rosto ao pequeno amigo. Usou pedrinhas para fazer os olhos, um botão velho para o nariz e desenhou uma boca sorridente. Olhando para ele, sentiu que ele já não era apenas um cacto, mas um verdadeiro amigo. Aos poucos, parecia que Marquinhos ganhava vida. Quando Martina estava nervosa ou preocupada, jurava ouvir sua voz dizendo:- "Você consegue, Martina!" ou "Lembre-se de que você é forte!"

Essas palavras, que ela acreditava vir do cacto, a ajudavam a se concentrar e encontrar coragem. Ela começou a conversar com Marquinhos antes de cada jogo. - "Hoje é um time difícil, Marquinhos... E se eu errar?" E ele, com sua voz imaginada, mas reconfortante, respondia: -"Errar faz parte. Apenas jogue com o coração." Ou então:- "Seja corajosa, como eu. Eu cresci mesmo quando parecia impossível, lembra?"

Essas conversas se tornaram uma rotina tão especial que ela não conseguia mais imaginar ir para um jogo sem ele. Quando os colegas de time notaram o cacto, inicialmente acharam estranho. - "Você realmente fala com ele?" perguntavam, rindo. Martina respondia, sem hesitar:- "Ele é meu amigo. E ele sempre me dá coragem." Pouco a pouco, o time começou a aceitar e até admirar a relação de Martina com Marquinhos. Perceberam que, desde que o cacto entrou em cena, Martina estava mais confiante, menos tímida, e jogava com um brilho nos olhos que nunca haviam visto antes.

Marquinhos se tornou muito mais do que um cacto ou uma mascote para o time. Ele era um símbolo da força de Martina, da capacidade de superar seus medos e de transformar algo simples em uma poderosa fonte de coragem. Aos poucos, até os torcedores começaram a notar. Não era raro ouvir gritos de incentivo da arquibancada: "Vai, Martina! E leva o Marquinhos junto!"

Com o passar do tempo, Martina percebeu que o que ela imaginava ouvir de Marquinhos não era apenas a voz do cacto, mas também a sua própria voz interior, que finalmente aprendia a ser ouvida. O pequeno amigo era um lembrete constante de que até as coisas mais tortas podem crescer e florescer, desde que tenham um pouco de cuidado, paciência e, claro, coragem.

E assim, Martina e Marquinhos continuaram inseparáveis. Juntos, conquistaram vitórias nas quadras e corações fora delas, inspirando a todos que cruzavam seu caminho com uma história que era, ao mesmo tempo, simples e profundamente transformadora.



Silvia Marchiori Buss

Comentários

  1. Adorei o conto, que serve tanto para as crianças qto para adultos tímidos ou vivendo momentos difíceis. Parabéns!

    ResponderExcluir
  2. Querido Paulo, muito obrigada por seu comentário, significa muito.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Energia na Parede

Navegando na Ausência

O Silêncio da Professora